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Blog do Núcleo de Direito Informacional da Universidade Federal de Santa Maria.

Diário de uma pesquisadora – leituras para as férias

Post ligeiramente atrasado por motivo de força maior (leia-se: trabalho para este evento). O Diário de hoje dedica-se a dividir com vocês, caros visitantes, quais são as minhas leituras para as férias. Essas leituras relacionam-se estreitamente ao projeto em que estou inserida, o Discursos de Ódio, e aos seus desdobramentos, quais sejam, (a) a exposição de discurso de ódio a crianças e adolescentes participantes de redes sociais e (b) o discurso de ódio inter-regional brasileiro. Segue o estado atual da minha escrivaninha:

Pilha de livros em meio à bagunça milimetricamente organizada.

Pilha de livros em meio à bagunça milimetricamente organizada.

Ao lado dos livros/blocos de livros/mouse (!) há um número em destaque, que corresponde ao comentário que faço abaixo. Afinal, quais são as tais leituras?

(1) Modesta revisão bibliográfica de artigos sobre multiculturalismo e intolerância entre regiões brasileiras, em especial Nordeste e Sul. A compilação foi elaborada com auxílio do Portal de Periódicos – ferramenta que realiza busca simultânea em múltiplas bases de dados acadêmicas, ótimo para encontrar papers de revistas internacionais, principalmente em inglês – e do Google Acadêmico, eficiente para encontrar artigos em português.

(2) Revisão bibliográfica de artigos sobre uso da Internet por crianças (marcador rosa), crianças em contato com discursos intolerantes (marcador verde) e formas de regulação da Internet, sobretudo da União Europeia e Estados Unidos (marcador azul). Compilação elaborada com auxílio do Portal de Periódicos.

(3) Livros sobre Direito da Criança e do Adolescente (de baixo para cima): O Melhor Interesse da Criança: um debate interdisciplinar, de Tânia da Silva Pereira (coord.); Direito da Criança e do Adolescente: uma proposta interdisciplinar, de Tânia da Silva Pereira; Os direitos da criança e do adolescente, de Josiane Veronese; Infância, Lei e Democracia na América Latina, de Emílio García Méndez e Maria Beloff (org.). Os dois primeiros são verdadeiras bíblias sobre o assunto, completos e de leitura leve (o que pode parecer contraditório, tendo em vista sua espessura). O livro de Veronese é interessante pelo comparativo efetuado entre a Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança (1989) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (1990). Já a compilação de García Méndez e Beloff vale pelos textos de Luigi Ferrajoli e Alessandro Baratta, que consideram a criança não como objeto, mas sujeito de direitos.

(4) Livros sobre as novas tecnologias e seu impacto na sociedade (de baixo para cima):  Lo tecnológico y lo imaginário, de Daniel Cabrera; Tramas da Rede, de André Parente; Sociedad Informatizada: ¿Sociedad deshumanizada?, de Javier Bustamante. São aquelas leituras meio filosóficas, meio sociológicas, que, uma vez terminadas, fazem surgir aquele pensamento desolador de que “tudo é uma construção social”.

(5) When Is Discrimination Wrong?, de Deborah Hellman. Livro que busca elucidar por que algumas formas de distinção são aceitas – e até benignas para a sociedade – e outras são moralmente problemáticas. Quando diferenciar torna-se discriminar [no sentido pejorativo]?

(6) Anatomia do Ódio, de Joaci Goés. Ensaio médico, psicológico, psicanalítico, sociológico e histórico sobre o ódio. Bônus: dicas “auto-ajudescas” para quem tem seus dias de ira.

(7) Pensar la compasión, de M. Garcia-Baró e Alicia Villar (coords.). Contraponto necessário, depois de tanto ódio.

(8) História Social da Criança e da Família, de Philippe Ariès. Qualquer pessoa que escreve sobre crianças precisa ler. Traz um aporte histórico importantíssimo de como se formou a idéia da criança-vulnerável, digna de cuidados especiais. Chocante para aqueles que pensam que a criança sempre teve essa aura inocente ao longo da história. Não é bem assim… Pelo menos não era no século XVII.

(9) Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski. Pausa para o café! …com Raskolnikov e o peso de sua culpa. Literatura é um bem necessário.

(10) A Web [representada por um mouse, sim!]! Nossa fonte primária de dados de pesquisa. Aqui encontram-se as legislações, as jurisprudências, as comunidades do Orkut passíveis de observação, as estatísticas, e aquilo que nem imaginamos encontrar ainda.

Ufa! Essas são as minhas leituras para julho-agosto. Em breve o Diário de uma pesquisadora contará com análises detidas de algumas delas. Por ora, é possível perceber que, embora seja período de férias, o trabalho de pesquisa não para! A tônica do pesquisador é justamente essa: estar sempre em busca de conhecer e produzir conhecimento, ser incansável.

…incansável é também este blog, que mantém suas atividades durante o período de recesso. Como a rotina de publicação foi recém ampliada, reitera-se que os dias fixos de postagem são segunda, quarta e sexta-feira.

Agora, aos livros!

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