NUDI UFSM

Blog do Núcleo de Direito Informacional da Universidade Federal de Santa Maria.

O maior ataque hacker de todos os tempos… chinês?!

O post de hoje será breve. A cara rotina está de volta e reclama as horas de sono burladas nas férias. Além disso, há a probabilidade de uma queda de luz a qualquer momento [tempestade santamariense mode on].

Gostaria de divulgar uma notícia da semana passada (3/08) que me chamou a atenção:  a empresa de segurança McAfee [aquela do antivírus] afirmou ter descoberto a maior série de ataques hacker já registrada – a chamada OperationShady RAT. Trata-se de ataques a redes de 72 (!) organizações, perpetrados durante o período de 5 anos, a contar de 2006.

As entidades atacadas compõem-se de agências governamentais, organizações globais e empresas de negócios. Entre esses organismos destacam-se a Organização das Nações Unidas (ONU), o Comitê Olímpico Internacional (COI) e a Agência Mundial Antidoping, além de entidades de governo dos Estados Unidos, Taiwan, Índia, Coreia do Sul, Vietnã e Canadá.

Começa o problema! O relatório da McAfee sobre a operação levanta a hipótese de que essa série de ataques hacker pode ser de responsabilidade não de um grupo específico [Lulzsec; Anonymous, e.g.], mas de uma nação. Tal entendimento é justificado pela amplitude e persistência dos ataques, bem como pelo tipo de informação procurada – dados sob sigilo e propriedade intelectual. Reforça esse ponto de vista o fato de que os ataques têm por alvo entes políticos não lucrativos, como é o caso do COI.

E os eventos tornam-se ainda mais contundentes: depois da divulgação do relatório, Jim Lewis, expert norteamericano em cibersegurança, afirmou ser muito provável que a China esteja por trás dos ataques, devido ao seu interesse nas informações provenientes da maioria dos alvos.

A empresa McAfee não se manifestou a respeito da possibilidade de responsabilização da China, e tampouco o país deu uma resposta oficial à acusação. O jornal estatal chinês People’s Daily, por sua vez, no dia 5/08, repudiou a conexão estabelecida entre a China e os ataques hacker. Declarou não haver provas para atestar a responsabilidade do país, não passando tudo isto, na verdade, de uma manobra da empresa de antivírus para angariar mais compradores para seu software.

***

Embora boa parte da tensão que essa notícia carregava já tenha se dissipado [nesse quesito o silêncio, o tempo e a crise do governo Obama são bençãos], a situação abre um leque de indagações.

Tanto se fala em governo eletrônico, governança eletrônica, formas pacíficas de organização e controle da Internet, tudo baseado no consenso entre os países. …mas e o caos? Quem pondera sobre a guerra pela informação que pode se instaurar no futuro? Os países são diferentes, os interesses reais são diferentes, por que não o seriam em âmbito virtual? Além disso, o ciberespaço oferece possibilidades mais sutis de invasão entre sistemas. Não há sangue, não há mortos. Existe, é claro, o considerável prejuízo: a perda de informação, de ideias. Quem segura esses fluxos adversos?

Outro ponto discutível desponta: o pânico moral instalado pela divulgação do relatório do “maior ataque hacker já registrado”. O apelo econômico, ainda que involuntário, é grande, convenha-se.

[Amanhã vou atualizar meu antivírus, prometo].

O que você acha?

O mapa da mina: países alvos dos ataques hacker da OperationShady RAT.

O mapa da mina: países alvos dos ataques hacker da OperationShady RAT.

Fontes consultadas: aqui, e acolá.

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