NUDI UFSM

Blog do Núcleo de Direito Informacional da Universidade Federal de Santa Maria.

Invasões

Saudações!

Duas notícias me chamaram a atenção essa semana.

1) 25 mil sul-coreanos iniciaram hoje (17/08) um processo coletivo contra a Apple pela violação de privacidade causada por um recurso do iPhone que permite mapear a localização do usuário e montar um mapa dos lugares por onde o indivíduo passou. (fonte)

2) uma pesquisa da consultoria Gartner identificou sinais de desgaste no uso frequente de redes sociais, apontando que alguns usuários estão utilizando essas redes menos do que quando se cadastraram, principalmente pelo medo de que sua privacidade seja invadida. (fonte1, fonte2)

O curioso é que parece existir uma ligação entre as duas temáticas abordadas pelas notícias: a primeira diz respeito à violação da privacidade do indivíduo que utiliza um serviço móvel, e a segunda aponta como um dos principais motivos para a perda de fôlego das redes sociais exatamente a insegurança dos usuários quanto a exposição de dados nessas redes.

O carro do Google Street View, já viu ele por aí?

O exemplo da Apple que expõe a localização do indivíduo sem o seu consentimento não é o primeiro que causa um grande alvoroço nos usuários, há pouco tempo atrás o Google também andou obtendo dados sigilosos das pessoas por meio do serviço de mapeamento de ruas, o streetview. No caso do Google, diversos carros foram espalhados pelo mundo com o objetivo de fotografar ruas para que o usuário do Google Maps e do Google Earth possa ter uma visão da rua como se estivesse lá, parado de pé na calçada. A invasão de privacidade aconteceu quando os carros do Google começaram a captar “sem querer” (segundo o Google) dados pessoais de redes wi-fi domésticas (emails, senhas etc) e a localização de laptops e outros dispositivos móveis (fonte1, fonte2).
Nas redes sociais, o exemplo maior de exposição indevida de informações ocorreu com o Facebook em 2010, quando a empresa admitiu que dados de usuários estavam sendo repassados a empresas externas (fonte). E mais recentemente, a marcação automática de fotos, recurso do Facebook que marca o nome do usuário em fotos em que ele apareça, também foi alvo de um pedido de esclarecimentos por parte do Ministério da Justiça do Brasil, que entendeu que a ferramenta permite  uma exposição indevida da imagem do indivíduo (fonte).

Enfim, caro leitor, percebemos como as tecnologias atuais tornam vulneráveis o armazenamento de dados e de informações no contexto de interligação e interconexão que o mundo globalizado nos apresenta nesse momento histórico. Então, de que forma podemos nos conectar e acessar todo tipo de serviços do conforto do sofá da sala ou da escrivaninha do escritório sem por isso estarmos expostos à divulgação involuntária de nossos dados pessoais? Cada vez mais as redes de informações parecem menos seguras e expostas, seja a empresas ou hackers, mas parece que não é mais possível voltar atrás e simplesmente deixar de usá-las, o que nos resta agora é lidar com esse território virtual criando meios de controle mais eficientes, discutindo novas legislações e reforçando as barreiras digitais que protegem nossos dados,  evitando, assim, que mais um império (o da tecnologia) caia pelas mãos de invasões “bárbaras”.

Até quarta que vem.

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