NUDI UFSM

Blog do Núcleo de Direito Informacional da Universidade Federal de Santa Maria.

Os clássicos ‘enredados’: onde encontrar literatura na Internet

Fugindo da abordagem anterior – notícias sobre invasões, hacker ou não, de privacidade e dados pessoais -, o post de hoje é sobre literatura. A Internet é um espaço privilegiado para o leitor, seja ele um respeitável literato – daqueles que sabem enunciar os erros de tradução de Ulisses, de James Joyce, do inglês para o servo-croata -, um iniciante curioso pelas belas letras ou uma daquelas pessoas que dizem não gostar de ler, mas nunca provaram do prato para emitir opinião consistente. É um espaço privilegiado pela variedade de textos disponíveis, pela gratuidade – ainda que com certos resvalos na ilegalidade… – e pela facilidade de acesso. Quem quer ler Dostoiévski, não precisa gastar 1/10 de salário mínimo por um Crime e Castigo. Também, não é mais necessário deslocar-se até a biblioteca do colégio para conhecer Os Miseráveis de Victor Hugo. Estas, como tantas outras obras, estão a um clique de nossos globos oculares. Basta que se dê o clique certo e, nesse sentido, o blog do NUDI dá dicas de onde encontrar literatura na Internet.

Concentrar-nos-emos na literatura considerada clássica – obras de reconhecido mérito artístico [cânones] produzidas até meados do século XX -, por ser ela que dá as bases àquilo que, em contínuo processo dialético, é escrito hoje. Com isto se que dizer que, para entender a literatura contemporânea, importa conhecer as construções do passado. A escolha desse enfoque também se justifica pela divulgação dessa literatura não trazer prejuízo aos direitos dos autores e de seus herdeiros, já que, pelo decurso do tempo, as obras encontram-se em domínio público.

Procura um livro? Antes de encomendar na livraria ou garimpar no sebo, por que não checar na Internet?

Procura um livro? Antes de encomendar na livraria ou garimpar no sebo, por que não checar na Internet?

Eis as nossas dicas de celeiros literários online:

1. The Literature Network

Site de literatura clássica [majoritariamente ocidental] que disponibiliza gratuitamente em torno de 3.200 livros com texto integral e 4.200 poemas e histórias curtas, obras que se dividem em mais de 250 autores. Embora estejam ausentes autores brasileiros, o rol de escritores estrangeiros é surpreendente: de Alighieri a Zola, com Shakespeare quase que onipresente. As obras estão integralmente dispostas para visualização no próprio site, dispensando download. Todos os textos, bem como a estrutura da rede, encontram-se em inglês. Destaque-se que muitas das obras disponibilizadas não contam com edições recentes no Brasil [caso de Vinte Anos Depois, a continuação de Os Três Mosqueteiros de Alexandre Dumas, por exemplo], ou nem foram traduzidas para o português [caso de Nicholas Nickleby, de Charles Dickens]. Daí a maravilha que é o site! E não só por isso: The Literature Network vai além de sua função de divulgação ao permitir que usuários cadastrados na rede interajam entre si em fóruns de discussão. Cada livro conta com um fórum específico, o que possibilita aos leitores expressar o que acharam da obra, esclarecer ou questionar passagens, sugerir um final diferente, manifestar qual sua personagem favorita, e – no caso daqueles pouco persistentes – conseguir informações sobre partes ainda não lidas, os chamados spoilers. Há também um fórum de caráter geral, em que os usuários se apresentam e debatem sobre temas literários, havendo, inclusive, tópicos para religião e filosofia. É a inteligência coletiva em polvorosa! Para diversão, grande parte dos livros, nas páginas específicas, conta com testes (quizzes) feitos pelos próprios usuários sobre a história lida. Será possível lembrar de todos os detalhes?

The Literature Network: para ler e conversar com quem leu. Tem coisa melhor?

The Literature Network: para ler e conversar com quem leu. Tem coisa melhor?

2. Domínio Público.gov.br

Site do domínio .gov.br para download de obras de domínio público, entre elas, é claro, obras literárias. Na página inicial, encontram-se em destaque os trabalhos completos de Machado de Assis, a poesia de Fernando Pessoa e uma tradução da Divina Comédia para a língua portuguesa. O catálogo disponível, entretanto, não se restringe a apenas essas: são mais de 186 mil obras cadastradas. Para conhecer uma, basta ativar a curiosidade e digitar um autor ou um título (ou palavra do título) nos campos de busca. Em contraste com The Literature Network, o Domínio Público reúne um acervo considerável de obras tanto nacionais – brasileiras – quanto internacionais, na língua de origem ou em traduções de diferentes idiomas. Isso quer dizer que tanto é possível ler Fausto no original em alemão, como se admirar com o toque de novela mexicana que ganhou o título Los Hermanos Karamazóv. Nessa verdadeira biblioteca digital, os livros encontram-se não em papel, mas em formato .pdf. Esses arquivos provém, em sua maioria, de bancos de dados conhecidos, como o Projeto Gutemberg e o In Libro Veritas.

As dicas são apenas duas, mas são preciosas e – acredito eu – ainda pouco conhecidas. Sim, por incrível que pareça, a Internet não é só composta de redes sociais, páginas governamentais e sites ativistas. O meio virtual conta com uma grande quantidade de obras literárias, seja em língua original ou tradução. Opera-se algo como uma democratização da cultura. Bens culturais encontram-se ao alcance dos usuários. A própria tradução desempenha um papel importante nesse sentido. Embora forçosamente opere uma espécie de adaptação à obra, a tradução conserva a plot, a mensagem, as intenções autorais [ou pelo menos boa parte delas], e, por conseguinte, amplia o escopo de pessoas que podem dirigir-se a essa obra. A Internet desencadeia um processo análogo: não torna propriamente o conteúdo do livro mais acessível, como faz a tradução, mas dá ao livro em si e a suas múltiplas versões uma publicização em escalas antes inimaginadas. Sem preconceitos, portanto. Antes de partir para a crítica ou certos detalhismos exagerados, o importante é conhecer. Popularizar aquilo que se pensa “erudito”, distante de nós, “cheio de palavras difíceis”. Na realidade, nós e a literatura somos muito próximos, e a Internet potencializa essa aproximação. Através dela podemos conhecer mundos diferentes, ideias diferentes e, ademais, debater, discutir essas ideias, reconstrui-las. É o meio digital multiplicando nossas possibilidades de conhecimento.

Fica o convite. Os clássicos estão na Rede. Por que não se enredar também?

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