NUDI UFSM

Blog do Núcleo de Direito Informacional da Universidade Federal de Santa Maria.

Meu Google não é igual ao seu (!)

E o título deste post é verdade desde 2009, mas só descobri isso há poucos dias – em uma notícia desse final de agosto (fonte). Estamos tão acostumados a ver a ferramenta de busca num cantinho da tela do navegador, ou até mesmo como página inicial, se vocês forem como eu e não tiverem ideia de algo melhor para começar uma aventura no mundo online do que o site que te leva a todos os outros – ou quase isso (explico em seguida)… De tão intrínsecos que os sites de busca parecem à natureza de um ambiente como o virtual, dificilmente tentamos imaginar como é que eles oferecem aquela lista de sugestões que aparece quando digitamos palavras naquele espaço em branco e digitamos “enter“. De certa maneira, ao digitar as palavras e teclar “enter” todos confiamos que ele vá buscar por todos os cantos da Internet e mostrar o que for mais relevante. Mas como ele define o que é mais relevante? Afinal, como o serviço de busca escolhe quais links vão aparecer?

Serviços de pesquisa online: além dos conteúdos dos sites, buscam o conteúdo de nosso histórico de uso.

É agora que começo a explicar o título, que está relacionado com uma das consequencias possíveis do desenvolvimento das tecnologias da informação apontada por Castells (autor de A Socidedade em Rede, das Leituras Iniciais): consumo personalizado de informações, quase que uma Internet customizada involuntariamente por você mesmo. O consumidor fica cada vez mais individualizado, previsível. Como? As páginas de busca não mais se baseiam num esquema (simplificando) de fazer uma relação entre as palavras solicitadas pelo usuário e os textos dos sites que existem, mas também incluem aí outras buscas que aquela pessoa já tenha feito antes, à procura de conteúdos parecidos, que considera-se ter mais chance de ser o que ela procura. E para isso registram históricos do uso do site de busca por aquele usuário, o que faz o resultado que aparece na minha pesquisa, feita no meu computador, não ser exatamente o mesmo que aparece se você fizer uma busca aí no seu. Os sites podem aparecer numa ordem diferente; as páginas priorizadas, que estarão no topo, podem não ser as mesmas.

Em uma primeira análise, isso pode não parecer tão grave quanto, por exemplo, quando surgiu a ideia de “leiloar” rankings em resultados de busca online, prática já adotada por alguns motores de pesquisa (fazendo a busca ser muito mais orientada pelo valor que cada site pagara do que pelas palavras que o usuário digitava), e que gradualmente foi substituída por métodos mais dignos, considerando uma combinação de conteúdo e popularidade das páginas. E aqui entra o quase que mencionei no início do post: os motores de busca podem, simplesmente, deixar de mostrar determinadas páginas. Um dos critérios para banir uma página dos resultados de busca seria, por exemplo, se a página tentar “trapacear”, ou seja, mostrar ao motor de busca um conteúdo que não é compatível com o que o usuário encontrará de verdade no site, mas que a faz ficar no topo dos resultados; isso tende a ser punido pelos motores de busca com a exclusão daquela página de seus resultados (fonte), o que é praticamente o mesmo que tirar o site de circulação. Mas seria muito diferente do que, por exemplo, colocar este site na (quase que meramente uma figurante nos resultados de busca) segunda página de resultados? E se o critério para colocar a página dentro ou fora do campo de visão do usuário não for só algo que afeta a confiabilidade da pesquisa, mas passa a ser a chance do usuário se identificar ou não com o resultado?

Até então, tínhamos um critério universal, os mesmos conteúdos apareciam em buscas feitas pelos usuários; se eu e você digitássemos, cada um em um computador, “NUDI UFSM” no Google apareceriam, na mesma ordem, a mesma lista de sites. A personalização ficava por conta de cada um de nós, na hora de escolher as palavras. Desde 2009, a personalização – ainda que sutil – é por conta de um sistema, e a escolha de palavras atual não é mais o único fator que influencia nos resultados, que levam em conta também o que foi digitado em outras vezes pela pessoa, e que estabelece para a sua busca condições diferentes das minhas, que não podemos controlar. Me ocorreu, lendo a notícia aqui citada como fonte, uma questão parecida com a levantada pela Anna em post sobre os sparks do Google+: será que com o novo sistema de busca não fica prejudicada a escolha do usuário sobre o que ele considera ou não interessante e relevante, uma vez que um sistema faz isso preliminarmente?

Deixo vocês com minha inquietação, mas não sem antes mencionar que foi aberto novo edital para seleção de pesquisadores no NUDI, cujas informações estão aqui, em pesquisa sob orientação da mais nova integrante do NUDI, professora doutora Valéria Ribas do Nascimento (seja benvinda!). Aos interessados, anuncio que as inscrições devem ser feitas até as 14h do dia 16 de setembro.

Boa semana!

One response to “Meu Google não é igual ao seu (!)

  1. Patrícia Setembro 14, 2011 às 18:27

    Só para constar aqui que eu e a Letícia, do projeto da publicidade online, escrevemos um artigo sobre esse assunto, inclusive com uma análise das políticas de privacidade dos sites de busca Google, Yahoo, Bing e Ask.com, relacionada à violação dos direitos do consumidor.

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