NUDI UFSM

Blog do Núcleo de Direito Informacional da Universidade Federal de Santa Maria.

Observação participativa

Esclarecimento: o post de hoje é a interessante narração escrita por outra integrante do NUDI, a Francieli Raminelli do projeto “Ativismo Digital”, que me autorizou a postar aqui a curiosa experiência que teve com o Portal da Participação, site do governo gaúcho (http://www.participa.rs.gov.br/).

A votação ocorreu no dia 10 de agosto. Era uma votação online para definir a prioridade do orçamento para projetos, os quais estavam no site e eram escolhidos pelos eleitores. Cada eleitor, através do título eleitoral, poderia votar uma vez.
Entretanto, quando eu inseri o número do meu título para votar, o sistema acusou que “eu” já tinha votado! Em atenção a página inicial do voto, constatei que para conseguir o número do título eleitoral, de qualquer pessoa, bastava inserir o nome completo e a cidade de voto, informações que inclusive poderíamos conseguir no orkut, facebook ou similares.
Enviei um email para os administradores do sistema/site, e a resposta foi instantânea. Me informaram que iam apurar de onde o voto tinha sido feito, se de um IP que votou várias vezes, etc. Logo após, me informaram que não poderiam resolver o problema, pediram desculpas e praticamente me desejaram sorte para próxima vez!
Eu, mais uma vez, enviei uma mensagem, pedindo pra que no mínimo eles suspendessem o voto em meu nome. Eles responderam que iriam fazer isso, mas isso também é bem preocupante, pois quer dizer que eles podem identificar o voto do eleitor!
Enfim, eu não tive mais retorno sobre isso, mas o que me deixa abismada com essa história é que, em tese, essa iniciativa serviria para democratizar o governo, deixando para os cidadãos decidirem sobre os projetos que entendem ser mais importantes. Mas com essa facilidade de votar no nome de outra pessoa (basta o nº do título, possibilitado apenas com o nome e a cidade do voto) muitas pessoas podem ter votado por outras, por interesses próprios.

Bem, fica a história e a reflexão.
Att.
Francieli Raminelli.

Transparência: é possível verificar quantos votantes pela internet e presenciais cada município teve. Confiabilidade: com o método utilizado para permitir a votação virtual, como garantir a legitimidade destes votos?

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