NUDI UFSM

Blog do Núcleo de Direito Informacional da Universidade Federal de Santa Maria.

A rede social dos caras maus.

O ano já está acabando e os ditadores do mundo continuam caindo (ora pela mão do povo, ora pela mão de Deus, ou ora por qualquer outra mão invisível), hoje foi a vez do líder supremo da República Democrática(?) Popular da Coréia, o Sr.  Kim Jong-il. O que abre a questão: haverá a possibilidade de, a exemplo do que aconteceu e acontece no mundo árabe, uma primavera coreana? Ou tudo continuará igual no Estado mais totalitário do mundo? Ao que parece tudo se inclina para que o filho mais querido do Sr. Jong-il, o Sr.  Kim Jong-un, assuma o controle do país de ideologia Juche.

Ju-o-quê? Juche. Ou, traduzindo para palavras inteligíveis: marxismo-leninismo-kimilsonguismo. Ou ainda, na minha tradução: junção de tudo que há de ruim no planeta.

Kim Jong-il provavelmente curtindo alguma festividade em homenagem a ele mesmo.

Enfim, já que abri o post de hoje com as ditaduras, é de pessoas ligadas a elas que irei falar.

Hoje pela tarde, enquanto lia alguns tweets, chamou a minha atenção um que fazia referência a um tipo diferente de redes sociais: redes (anti)sociais. Ou seja, redes que criticam e fazem ironia do uso abusivo das redes convencionais. Mas, não é sobre elas especificamente que irei tratar. Dentro da lista que encontrei dessas redes havia uma em especial que mereceu este post. E ela tem a ver com os Srs. Kim Jong-il e Muammar al-Gaddafi ( in memoriam), e também com seus outros colegas sanguinários vivos: Srs. Mahmoud Ahmadinejad, Hu Jintao, Robert Mugabe, Omar al-Bashir e cia.

Trata-se do tyrannybook.

O facebook dos caras maus.


Criado pela Anistia Internacional de Portugal, o tyrannybook era uma rede social que continha os perfis de vários ditadores e violadores de Direitos Humanos do planeta e que permitia que você se tornasse “amigo” dos homens e acompanhasse em tempo real todas as atrocidades que eles cometiam. A ideia da rede era manter uma vigilância constante sobre os principais líderes mundiais que atentam contra os Direitos Humanos na atualidade. Incrível, não?

A ideia deu tão certo que a rede foi cancelada (como assim, cancelada?). Sim, o tyrannybook cresceu tanto que a Anistia Internacional não teve mais como bancar os gastos com a manutenção do site no ar. Realmente uma pena. Espero que de algum modo a rede possa voltar à ativa em um futuro próximo, é um belo exemplo de como utilizar as redes sociais para coisas um pouco  mais úteis à humanidade.


4 responses to “A rede social dos caras maus.

  1. Lahis Dezembro 21, 2011 às 15:13

    Teu post me chamou atenção pra um paradoxo: ao mesmo tempo que em alguns lugares é praticamente impossível fazer uso das redes sociais (por causa de ditaduras restritivas), em outros lugares se tem uma falsa ideia de liberdade por causa delas – ou seja, temos ampla escolha de fazermos uso das redes, mas o jeito que elas acabam sendo usadas limitam o potencial educativo e criativo que elas teriam (como nessas redes “antisociais”, com fins antieducativos e criminosos, como a “please rob me”, a”twatter”, a “avoidr”, )…
    O “tyrannybook” é única que parecia ter uma finalidade interessante, mas acho que as redes sociais poderiam ser mais bem-utilizadas se oferecessem um jeito de a população oprimida pelo ditador tomar atitudes. Fico com a impressão de que pessoas de outros locais saberem o que acontece nesses países pode não ter muitos efeitos além de um discurso de ódio contra o ditador.

  2. Maria Dezembro 30, 2011 às 19:23

    uhm, então tinha o barack obama, george bush, angela merkel, tonny blair?

    me desculpa, sei que vocês tem liberdade de expressar opiniões (e acho ótimo,claro),mas seu post foi muito parcial e de certa forma debochado. Sem exploar o tema de antropologias, diferentes culturas, faz uma crítica somente ao oriente. Acho que isso empobrece muito um texto. É uma dica pro pessoal que for postar cuidar com isso,acho que análises, principalmente de grupos de pesquisas de faculdades,devem expor os dois lados,sob pena de serem mais do mesmo, ou seja,parecer uma pesquisa “manipulada”. Não deveria o cientista tentar ao maximo se livrar de seus pré-conceitos,para melhor avaliar os resultados?

  3. rafatiburski Dezembro 30, 2011 às 21:38

    Agradeço o comentário, Maria.
    Mas não se trata de uma crítica ao oriente, e sim aos líderes de nações que explicitamente violam uma gama enorme dos direitos humanos consagrados no Direito Internacional.
    Os chefes ou ex-chefes de Estado e/ou Governo que citaste são ou foram todos líderes de nações com democracias consolidadas. Por óbvio que os EUA, o Reino Unido e a Alemanha adotam, eventualmente, ações que aos olhos de alguns não estão de acordo com a melhor prática humanitária, todavia, nem de longe se assemelham as práticas manifestamente violadoras de Direitos Humanos dos países cujos líderes foram citados no post. Ademais, o tyrannybook foi uma ideia da Anistia Internacional, portanto, foi esta organização que definiu quem constaria da lista, e não eu. Violação de Direitos Humanos não é uma questão de cultura, relativa a cada país, mas sim de violação de ius cogens, Direito Internacional geral, que se aplica a todas as nações do mundo, quer elas queiram, quer não. Por isso, sempre serei parcial quando importe defender os Direitos Humanos e criticar quem os viole.

  4. Noemi Janeiro 4, 2012 às 10:16

    Achei muito interessante o teu post no blog, principalmente quando você cita a rede social ‘tyrannybook’, pois a iniciativa da Anistia Internacional é única e deveria servir de exemplo para os internautas de plantão, que gastam boa parte do seu tempo livre com comentários infrutíferos ou inúteis nas redes sociais ao invés de mobilizarem-se em prol da construção de uma inteligência coletiva (proposta de Pierre Lévy) para fiscalizar e exercer uma cidadania participativa através da web. Por que não gastamos nossos neurônios e espaço na internet para fiscalizar as ações dos nossos governantes ou então cobrar das autoridades melhorias em nossa cidade? É um ponto que merece nossa reflexão.

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