NUDI UFSM

Blog do Núcleo de Direito Informacional da Universidade Federal de Santa Maria.

Uma solução inesperada

Geralmente aqui no blog falamos de mudanças, praticidades e problemas que a Internet trouxe às nossas vidas, à sociedade. Se ler alguns dos artigos, resumos e até posts do blog do NUDI, você vai perceber que nossas pesquisas abrangem os riscos que vêm do grande fluxo de informações causadas pela rede (desde vazamento de dados pessoais, discursos de ódio massificados, consumidores revoltados…).

São inúmeros os problemas com os quais nos deparamos em nossas pesquisas com relação ao problema da rápida disseminação de conteúdo que pode prejudicar a identidade a quem se refere. Quero dizer, uma pessoa ou empresa que tem seus dados e defeitos dispostos e realçados pela Internet é vista, em nossas pesquisas, como prejudicada pelos “contras” da web. Geralmente, em nossas pesquisas apontamos precauções que podem ser tomadas, políticas que podem ser adotadas, a extensão dos prejuízos, enfim, nosso enfoque é nas medidas já tomadas para evitar o problema, ou as que poderiam ser tomadas, ou as consequências e a extensão do problema em si.

E é por isso que fiquei tão curiosa e impressionada quando, numa estação de metrô, longe de qualquer cartilha sobre elaboração de páginas governamentais, livros sobre proteção de dados pessoais, cibercidadania ou cibercultura, me deparei com este anúncio:

"Felizmente para eles, a Internet não existia. Felizmente para você, nós temos a solução."

Uma solução para os problemas que o mundo online pode causar a indivíduos e empresas; e uma solução online (!). Fiquei intrigada imaginando que tipo de poderes teria uma empresa para propor manter “em alta” a reputação de uma empresa ou personalidade na era digital. Ao entrar no site (onde prometem testar gratuitamente sua reputação!) me deparei com explicações gerais sobre os serviços disponíveis: eles cuidam, por meio de “supressão de ligações negativas” e “criação de conteúdos positivos” dos conteúdos virtuais disponibilizados sobre os clientes.

Mas a solução pára por aí. Como ao que tudo indica a empresa cuida somente dos conteúdos disponibilizados e sob controle da própria pessoa (como sua página pessoal e seus perfis em redes sociais), persistem os problemas em torno de dados e conteúdos sobre a pessoa ou empresa que estejam sendo disponibilizados por outros. E se isso nos leva de volta aos problemas que já mencionei no início deste post, fico tranquila em saber que as empresas privadas ainda não têm o poder de, sem ser na ilegalidade, modificar conteúdos alheios a ponto de oferecer isso como um serviço.

Além disso, é interessante existir uma entidade privada oferecendo conselhos, dicas, recomendações sobre como manter sua reputação virtual intacta e se prevenir dos riscos dos fluxos de informações. Afinal, a liberdade de expressão amplificada que a Internet nos trouxe veio com muitos riscos, e parece importante agir preventivamente para minimizá-los. O fato que mais me surpreendeu, no final, considerando que a proteção de dados pessoais, da integridade da honra e da imagem são direitos constitucionais no Brasil, foi que esse tipo de orientação quanto aos cuidados com os dados disponibilizados online, que já aparece até como serviço principal de empresas privadas, seja tão difícil de encontrar em portais de caráter público.

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