NUDI UFSM

Blog do Núcleo de Direito Informacional da Universidade Federal de Santa Maria.

EXTRA: Posto, logo existo

Seguindo nossa linha de publicação de textos elaborados por membros do NUDI off-blog, o post de hoje é uma reflexão de autoria de Bernardo Girardi Sangoi, acadêmico que entrou recentemente no Núcleo, integrando o grupo de estudos dirigido pela Profa. Rosane Leal da Silva. O texto faz uma crítica ao uso desenfreado – e por vezes impensado – da Internet, em especial no âmbito das redes sociais, em que o usuário, alucinado pela necessidade de mostrar que existe virtualmente, termina por se distanciar da vida fora da rede. Em tempos em que os verbos curtir e seguir converteram-se em sinônimos de sociabilidade instantânea, que tal olharmos para a pessoa ao nosso lado e lembrarmos do verbo abraçar? Que tal deixarmos um pouquinho de lado quem devemos parecer ser – a personagem facebookiana de sorriso eterno e “vida de final de semana” – e ponderarmos sobre quem realmente somos, a pessoa com cotidiano, com problemas, com dúvidas? É o que o texto a seguir nos convida a pensar. 

A Internet como baile de máscaras: posto, logo a personagem existe. E eu?

A Internet como baile de máscaras: posto, logo a personagem existe. E eu?

O título é de uma recente crônica de Martha Medeiros publicada no jornal Zero Hora no dia 8 de abril. O pensar do cogito ergo sum de Descartes parece que se banalizou no famoso postar, cujo objetivo é existir para os outros (“aparecer”), mesmo que para isso seja necessário sacrificar um passeio no parque ou uma saída com os amigos. No Brasil, a realidade não é diferente. Quando dois terços dos usuários atualizam seus perfis semanalmente, surge o problema: “viciados” na Internet, como fica a relação com os familiares, amigos e grupos sociais?

Uma pesquisa realizada em princípios do século XXI (quando sequer havia redes sociais) pela Universidade de Stanford e Carnegie Mellon, já evidencia esse efeito desolador [os resultados encontram-se disponíveis no livro A Galáxia da Internet, p. 104, de Manuel Castells]. Ao se investigar sobre o envolvimento social dos usuários, em especial os conectados pesadamente à rede, constatou-se um declínio abrupto nos relacionamentos familiares, levando a consequências mais graves como a depressão e a solidão. Manuel Castells, escritor espanhol, aborda essa problemática em seus livros “A Galáxia da Internet” e “A Sociedade em rede”, evidenciando, também, a necessidade constante de certos usuários em criar personalidades online que mostram o oculto de suas vidas offline. Tudo isso para expor ideias, banalidades e até intimidades com mais facilidade. Hoje, busca-se uma aceitação muito grande na comunidade virtual, sendo que quem não interage virtualmente parece estar à parte da “civilização”. Assim, alguns usuários chegam até a criar perfis completamente diferentes de sua identidade real, descuidando de seus laços reais para ver se o Fulano comentou tal foto, o Beltrano curtiu “x” publicação…

Nesse contexto, é preciso desconectar-se um pouco da antropologia virtual – em palavras de Martha Medeiros – e conviver mais com a família, os amigos. De que adianta ter 75621 seguidores no Twitter, sendo a maior parte deles desconhecidos? Na hora do “aperto”, em quem se encontra apoio? Certamente não será nesses 75621 seguidores! Para se ter noção de como a problemática do uso excessivo à Internet vem sendo enfrentada atualmente, existem hotéis europeus que não oferecem mais wi-fi para que seus hóspedes possam descansar com mais tranquilidade. Além disso, na Ásia, já há clínicas de reabilitação para o tratamento de viciados em Internet.

Assim, apesar de revolucionar o mundo, a rede parece abalar nós reais para formar laços virtuais, aproximando os distantes e afastando os próximos. Na verdade, é o seu uso excessivo que causa esse paradoxo, quando o postar acaba sendo uma ilusão de sociabilidade. Nesse sentido, é preciso, então, a busca de um equilíbrio entre o mundo “lá fora” e o virtual, com a desconexão momentânea deste último. Só assim não seria preciso alterar o pensar pelo postar do famoso cogito ergo sum de Descartes.

Vida offline? Eu (também) curti!

Vida offline? Eu (também) curti!

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