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Blog do Núcleo de Direito Informacional da Universidade Federal de Santa Maria.

Mídia, o quarto poder.

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Mensalão. Olimpíadas. Greve dos caminhoneiros. Olimpíadas. Carlinhos Cachoeira. Olimpíadas. Greve dos professores. Olimpíadas. Esse é o retrospecto das últimas manchetes trazidas pela imprensa, com o destaque para os jogos olímpicos de Londres e suas implicações sobre o Rio 2016 etc. etc. Enfim, o modo como a mídia distorce, enfoca, manipula a informação faz com que ela seja designada pelo termo “quarto poder”. Ao longo da história, somente com D. Pedro I é que houve, além do Executivo, Legislativo e Judiciário, o quarto poder, o Moderador. Hoje, essa situação se desvela um pouco diferente, já que a mídia tornou-se um “imperador implícito” na sociedade e, ao invés de “moderar”, optou por “exagerar”.

É exatamente aqui que reside a diferença entre a mídia e os demais poderes: ela enfatiza os assuntos que lhe são mais vantajosos, bem como sua respectiva forma de apresentá-los. Ademais, ataca instituições e pessoas de forma mascarada, utilizando indivíduos tidos como representantes da opinião pública, mas que não passam de “inocentes úteis” para respaldar a opinião da própria mídia. Isso faz com que a ideia inicial de imparcialidade da informação (função referencial) se transforme em um melindroso jogo de interesses e ofensas capazes de confundir a cabeça do receptor mais inteligente dessa informação, que já não consegue distinguir o que é e o que deixa de ser informação.

Infelizmente, a sociedade, de maneira geral, aceita passivamente essa situação, acomodando-se a “dar uma olhada” nos jornais e no que estes escrevem no Twitter (afinal, não se deve perder tempo lendo!). Se alguém que lê esta crônica não desistiu ainda, parabéns! A maioria de nós sofre de preguiça, cansaço… Pensar criticamente para quê, se a mídia pensa por nós? Aí nos enganamos mais ainda, pois o que ela nos entrega é senso comum, e isso não deve ser posto como verdade universal por absolutamente ninguém. Precisamos emitir nosso juízo de valor, e analisar se a informação procede ou não.

Assim, é evidente que a imprensa exerce um quarto poder perante a sociedade, visto que manipula a informação de acordo com o seu interesse, e nos ilude com análises superficiais sobre diversos assuntos. Quem se contentar em ler que a “Greve dos Caminhoneiros atrapalhou o trânsito na rodovia Regis Bittencourt e o abastecimento de alimentos e gás”, ou que a “Greve dos professores está atrasando o semestre”, como veicularam milhares de jornais, esquece-se da importância da greve; afinal, é somente dessa maneira que se conquistam as reivindicações. A mídia está interessada em vender a capa do jornal de amanhã; cabe a nós filtrarmos o que poderá ser aproveitado ou refugado dessa matéria.

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2 responses to “Mídia, o quarto poder.

  1. Ivan Leão Agosto 18, 2012 às 20:45

    Ótimo texto! Atualmente uma parte generosa da mídia atua somente para atender anseios de mercado. Dessa forma, mercantiliza a informação. Um grande passo para o controle da qualidade e legitimidade da informação poderá ser a exigência de diploma para a profissão de jornalista.

    • Bernardo Agosto 18, 2012 às 22:54

      Obrigado! Com certeza, não sabemos se o que lemos ou escrevemos é informação ou propaganda. E, realmente, é uma pena que o diploma de jornalista não seja mais obrigatório.

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