NUDI UFSM

Blog do Núcleo de Direito Informacional da Universidade Federal de Santa Maria.

Olimpíadas de Londres: a responsabilidade por postagens discriminatórias entra em pauta!

O que é bom dura pouco! É hora de dar adeus aos famosos aros na Tower Bridge...

O que é bom dura pouco! É hora de dar adeus aos famosos aros na Tower Bridge…

As Olimpíadas de Londres [infelizmente] chegaram ao fim. No âmbito do blog do NUDI, o que primeiro vem à mente não são os recordes de Bolt ou Phelps, nem as conquistas brasileiras em esportes como o vôlei, o judô e a ginástica, mas sim o papel desempenhado pela Internet na vertiginosa aproximação entre atletas olímpicos e seu público – e suas consequências.

O atleta já não é aquela figura distante, idealizada com as tintas heroicas dos comentadores de televisão. Ele está nas mesmas redes sociais que seu público, interagindo de igual para igual com um número incontrolável de pessoas. Tampouco é assunto restrito às conversas de sofá ou de churrasco. Pelo contrário: o atleta é alvo de comentários para quem quiser ver – em termos mundiais! –, comentários que redundam em verdadeiras operações de catarse e dissecação quando se fala em redes sociais e caixas de comentários de notícias.

Extravasar paixões e dar pitacos críticos a toda hora: essa é a vida do torcedor. [Não exclusivamente dos irlandeses, é claro.]

Extravasar paixões e dar pitacos críticos a toda hora: essa é a vida do torcedor. [Não exclusivamente dos irlandeses, é claro.]

Essas duas observações trazem consigo duas consequências: por um lado, o aumento de responsabilidade do atleta, como figura pública, pela veiculação de informações sadias e em consonância com o espírito esportivo; e, por outro, a responsabilidade do próprio público pela manifestação de opiniões condizentes com a liberdade de expressão e seus limites.

Pela primeira vez, ambas as responsabilidades foram abordadas no curso de uma edição das Olimpíadas. No que tange ao comportamento online do atleta, dois casos de postagens infelizes ensejaram dura punição por parte dos Comitês Olímpicos. O primeiro foi o da esportista de salto triplo, Voula Papachristou, da Grécia, retirada da delegação de seu país após um tweet em que equiparava os imigrantes africanos com comida de insetos (“Com tantos africanos na Grécia… No mínimo os mosquitos no Nilo Ocidental irão comer comida caseira!!!”) [Fonte]. O segundo caso foi o do zagueiro da seleção suíça de futebol, Michel Morganella, que, ao chamar os adversários sul-coreanos de retardados por uma rede social, foi expulso dos Jogos [Fonte].

A reação em Rede da torcida também foi objeto de consideração, dessa vez no Brasil. Após ser eliminada da competição olímpica de judô, a atleta Rafaela Silva recebeu mensagens de forte teor racista em seu Twitter, somado ao espezinhamento pela derrota (“Lugar de macaca é na jaula”; “Você não é melhor do que ninguém porque você é negra”; “Você sempre será uma inútil”). Indignado, o Ministro do Esporte, Aldo Rebelo, demonstrou intenção de levar o caso às instâncias judiciais brasileiras, mas a esportista não quis prosseguir. A Confederação Brasileira de Judô não descarta, entretanto, intentar alguma forma de responsabilização do emissor das mensagens [Fonte].

Por tudo isso, percebe-se que a Internet, embora seja um canal privilegiado de aproximação entre o público e o atleta, é um meio a ser utilizado com responsabilidade. Torcer, criticar, desabafar são atitudes normais, tornadas mais ricas na medida em que alimentam aquele sentimento de “não estou sozinho no mundo”, típico de redes sociais. Entretanto, essas atitudes têm limites: a tolerância da alteridade, a preservação da dignidade humana. O discurso discriminatório ultrapassa essas raias, redundando em abuso de direito.

Por isso, afigura-se promissor que o assunto da responsabilização de agentes online comece a aparecer em eventos de visibilidade, como as Olimpíadas. É verdade que a responsabilidade pende com mais força para o lado do atleta, pela grande visibilidade e o caráter exemplar de que este se reveste. No entanto, cabe lembrar que o público – sejam torcedores, detratores, críticos, indiferentes – é igualmente responsável pelo respeito às diferenças, e está dando um fragmento de exemplo às próximas gerações em cada manifestação sua.

Que tal um pouco de espírito olímpico?

Que tal um pouco de espírito olímpico?

 

 

 

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