NUDI UFSM

Blog do Núcleo de Direito Informacional da Universidade Federal de Santa Maria.

A guerra em três fronts: trincheiras, redes sociais e cibernética

Semana passada, no auge do violento conflito entre Israel e Palestina na Faixa de Gaza,  a chefe do departamento de informação israelense, Carmela Avner, declarou: “A guerra está acontecendo em três fronts. O primeiro é físico, o segundo é no mundo das redes sociais e o terceiro é a ciberguerra.”. Visto que a declaração é concedida por uma representante de uma das maiores potências militares do mundo, é importante analisar seu significado. Dois dos fronts de batalha propostos são virtuais.

É cada vez mais evidente o impacto das redes sociais nos Estados. O evento das Revoluções Árabes (ou Primavera Árabe, na expressão mais ocidental) demonstrou bem isso. Foi questionado se o impacto das redes sociais como Twitter e Facebook realmente foi efetivo, ou se tudo teria sido um movimento de rua mais espontâneo e desorganizado. Porém, recentemente os Emirados Árabes Unidos baniram máscaras de Guy Fawkes, que “simboliza resistência à autoridade”,  durante o Dia Nacional do país. A máscara, ligada com protestos de rua e ciberativismo, representa antes de tudo uma ideia de inconformidade. São justamente esses símbolos que estimulam os protestos, liberando toda a rebeldia, antes apenas potencial. Mas a máscara, adotada pelo movimento Anonymous, representa também outra ideia importante, a de organização virtual por redes sociais. Por isso, a proibição dos Emirados Árabes: o temor é que algumas pessoas se organizem por redes sociais e a simples presença delas e seus símbolos desencadeie mais uma onda de protestos na região árabe.

Anonymous – a capacidade do grupo de potencializar protestos assusta governos

No conflito Israel-Palestina, as redes sociais também possuem papel importante. A guerra está no Youtube e no Twitter. Mas sendo mais clara a importância dessas mídias na relações internas, qual o valor delas nas relações (incluindo conflitos) internacionais? A questão principal é imagem. Tanto Israel quanto Palestina precisam de apoio para suas respectivas causas, e o papel da comunicação por redes sociais tem um valor inestimável nisso. Não é a toa que uma das principais táticas israelenses é cortar a comunicação na Faixa de Gaza, e assim diminuir a reprodução do outro lado do conflito. Israel tem medo de que os palestinos usem a internet para melhor se organizarem e difundirem suas ideias – e a Palestina tem enorme interesse em usar a internet para isso. Aí começou o terceiro front do conflito, o cibernético. Israel cortou a internet na Faixa de Gaza, e isso enfureceu o grupo ciberativista Anonymous, que começou um ataque a sites do governo israelense. É visto que esses ataques são muito mais simbólicos (é raríssimo eles causarem dano real), mas Israel sabe que as possibilidades da guerra cibernética são muito maiores, e tão perigosas quanto a guerra física.

Um exemplo de guerra cibernética nas vias de fato é o ataque hacker às usinas nucleares iranianas. O Stuxnet, vírus utilizado nos ataques, é considerado por especialistas o vírus de computador mais avançado já criado. Isso significa, em outras palavras, que ele provavelmente foi criado por uma equipe organizada e bem equipada – provavelmente por um governo. O vírus destruiu centrífugas de enriquecimento de urânio, mas o mais importante foi o que ele demonstrou. Ele provou que a guerra cibernética já é uma realidade, e seu potencial ainda foi pouco desenvolvido. A preocupação maior é a utilização dessas estratégias para danificar estruturas que afetem civis: redes elétricas, sistema financeiro, de gás ou água. E os custos não são tão elevados. Charlie Miller, especialista em segurança informática, calculou que cem milhões de dólares seriam suficiente para causar um dano efetivo por ciberguerra contra os Estados Unidos. Um valor pífio se analisarmos o orçamento militar da Coréia do Norte, por exemplo.

Não importa a maneira como é feita, o horror da guerra é sempre o mesmo

Aí entra a importância de uma atualização na legislação internacional em relação ao assunto. O Direito Internacional Humanitário ainda não prevê a guerra virtual. Uma realidade próxima e, especialmente, perigosa.

One response to “A guerra em três fronts: trincheiras, redes sociais e cibernética

  1. JOÃO OLMEDO Dezembro 17, 2012 às 15:36

    A esta cenografia de Neo-anarquismo Digital versus Ditadura Cyber-High-Tech Governamental , acrescento ainda a ascensão da autoconsciência neuro – cibernética em um futuro próximo, com o espectro da evolução exponencial das máquinas: em uma amplitude ascensional desconhecendo limites, encarnando os avatares de autoconsciência neuro – cibernética neste continuum cáotico engendrando um crescimento vertiginoso, e talvez infinito da mesma, no que seria o Advento da Era das Máquinas. Estaríamos na emergência de um Armageddon Autoconsciente Neuro – Cibernético? Cybergeddon?
    http://ritual66.blogspot.com/2012/12/cybergeddon.html

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