NUDI UFSM

Blog do Núcleo de Direito Informacional da Universidade Federal de Santa Maria.

Criptoanarquismo e os limites da liberdade virtual: a internet que você não conhece (nem vai conhecer)

Você já parou pra pensar como você navega tranquila e livremente pela internet? Já pensou como as informações que você fornece não são visualizadas facilmente? Ou por que não é nada fácil tomar controle de um site? A resposta é simples, e é um dos fundamentos da internet: criptografia. São as técnicas que deixam as informações ilegíveis. A única maneira de ler – e manipular – essas informações é ser o detentor da “chave” do código. Vejamos um exemplo: você acessa o Facebook, e envia informações pessoais. Essas informações, caso acessadas por um hacker, seriam vistas como centenas de caracteres sem sentido algum. Para ter sentido é preciso saber o que eles significam – e apenas o Facebook possui tal conhecimento. Simplificadamente, é isso que evita que a internet seja um território virtual sem lei. A criptografia nos permite segurança e privacidade. Porém, ela não nos torna invisíveis. Nesse momento você está sendo rastreado por todos aqueles sites que você permitiu que recebessem suas informações. Você está sendo observado.

CRIPTO ANARCHY!

Mas podemos usar a internet para sermos ABSOLUTAMENTE invisíveis?

A resposta é sim, e a defesa do direito de navegar totalmente anônimo na internet tem nome – criptoanarquismo. O criptoanarquismo é a criptografia como lei única da internet. Segundo o criador do termo Timothy C. May,  o objetivo é ” impossibilitar processos judiciais e outras formas repressão ao se enviar e receber informação nas redes de computadores”. Você faria absolutamente qualquer coisa na internet e ninguém poderia receber qualquer informação sua. A criptoanarquia existe e funciona. As redes chamadas darknet funcionam dessa maneira. Darknets são redes fechadas e secretas de comunicação. Mas o mais conhecido e polêmico uso da criptoanarquia é a Deep Web.

Em resumo, a Deep Web é toda a parte da internet não indexada. Em outras palavras, aquilo que os buscadores como Google e Yahoo simplesmente não encontram. Os sites que se encontram nessa parte da internet não são acessíveis normalmente. São necessários programas especiais para acessá-los. E mesmo depois de acessado, é difícil navegar. Lembre-se: é tudo absolutamente anônimo. A ideia de invisibilidade virtual é tanta que para acessar os sites que se encontram na Deep Web é necessário conhecer o domínio. Inexiste um buscador que você digite “tele entregas de pizza em santa maria”. É preciso conhecer o site, por exemplo “www.teleentregapizzassm.com”.

A Deep Web é muito útil para aqueles que  não podem revelar sua identidade. Os melhores ciberativistas se reúnem no paraíso invisível da Deep Web. É lá que está o site da oposição da China. Ou os documentos ainda em análise pelo Wikileaks.

Mas o poder de agir anonimamente tem seu lado obscuro: crimes são recorrentes na Deep Web. Imagine as possibilidades criminais disso: pedofilia, assassinato e drogas – tudo em sigilo absoluto. Os sites possuem uma criptografia mutante, em camadas e praticamente indecifrável. Quando as autoridades romperem a criptografia, ela já terá se alterado totalmente. É como o vírus da gripe. E ainda resta o problema de como alcançar o domínio. É preciso lembrar que é necessário conhecer o domínio para possuir acesso – e o domínio pode ter centenas de caracteres. A única maneira seria socializar e conseguir a chave da criptografia diretamente com a comunidade envolvida.

skull net

O criptoanarquismo é uma distorção criada pelo crescimento espantoso da capacidade de processamento dos computadores. Seu notebook ou computador pessoal possui muito mais capacidade que os melhores computadores militares de vinte anos atrás.

Resta o questionamento se o governo deve interferir, como no caso extremo do Reino Unido, que proibiu arquivos criptografados. Na ânsia de evitar crimes, o Estado pode acabar interferindo na liberdade civil dos usuários. Algo parecido com o que aconteceu nos Estados Unidos pós-11 de Setembro. E o resultado não foi nem um pouco efetivo.

NOTA: Não navegue na Deep Web ou em darknets sem o devido conhecimento. De qualquer maneira, pouca coisa seria encontrada.

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