NUDI UFSM

Blog do Núcleo de Direito Informacional da Universidade Federal de Santa Maria.

Docente da UFSM relata atividades de Reunião Preparatória do Fórum de Governança da Internet da América Latina e o Caribe

A professora Rosane Leal da Silva participou, com apoio do Comitê Gestor da Internet no Brasil, da Reunião Preparatória do Fórum de Governança da Internet da América Latina e o Caribe, o LACIGF. O encontro aconteceu na cidade de México, nos dias 3 e 4 de agosto, em conjunto com a quinta Conferência Ministerial sobre a Sociedade da Informação da América Latina e Caribe.
Confira o relatório do segundo dia da Reunião:

 

Sessão temática 6: A Internet como geradora de oportunidades para nossas economias (das 08:00 às 09:30h)

Moderador:

  • Miguel Morachimo, Hiperdireito

Palestrantes:

  • Rodrigo Gallegos, Academia
  • Shernon Osepa, Internet Society
  • Carlos Afonso, Comitê Gestor da Internet
  • Ignacio Caride, Mercado Livre
  • Silvia Bidart, ALETI
  •  Osepa, Internet Society: Inicia sua apresentação mencionando o Global Internet Report sobre os usos da internet, com destaque para a internet móvel e suas possibilidades de desenvolvimento das economias da região. O mundo está caminhando na direção da mobilidade e esse processo é irreversível. Menciona que os maiores usuários são os jovens, pois eles já não usam mais computadores e realizam todas as suas interações por meio do telefone móvel. Esse tema também envolve a questão da segurança da informação e do uso para fins de criminalidade, pois seus aplicativos facilitam isso. Informa que, na Internet Society, estão realizando uma série de investigações para intentar eliminar as barreiras para o crescimento da economia digital.
  • Silvia Bidart, ALETI: Estados latinos estão crescendo em vários índices, mas devem estudar como realizar a internacionalização, pois são pouco competitivos frente a outros mercados. Há graves assimetrias, pois há blocos com economias mais fortes (Brasil e México), blocos com menores condições competitivas e há países medianos, como Argentina. Notam-se também assimetrias nas capacidades e na geração de políticas ativas que gerem o desenvolvimento do ecossistema. Isso envolve melhorar os marcos legais, o que exige o equilíbrio dessas assimetrias.
  • Os desafios para a região dependem do desenvolvimento de habilidades e desenvolvimento de inovação. Somos criativos, mas nossos produtos precisam chegar ao mercado global.
  • Os países precisam trabalhar em complementaridade, pois aqueles produtos que não podem ser elaborados individualmente poderiam ser produzidos em conjunto, o que melhoraria as condições de competitividade da região. Outro desafio é ver a questão da tributação. Este é um tema tabu para os Estados, mas precisam ser tratados, pois dele dependem as várias articulações dos países.
  • Refere que há iniciativas conjuntas de Argentina e Colômbia, que estão trabalhando em colaboração para o desenvolvimento de TI, especialmente para desenvolver a economia digital na região.
  • Carlos Afonso, Comitê Gestor da Internet: Está consciente da importância e da dificuldade do tema do painel. Abre com uma nota do Banco Mundial: “residimos em um mundo físico, mas estamos cada vez mais na vida digital. Ir a bancas de música, oficinas de governo, tudo isso está sendo superadas. As pessoas encontram amores e amigos por internet. […] a revolução digital tem mudado a vida de pessoas através do uso das tecnologias […]”
  • Refere que o relatório do Banco Mundial (Wordl Development Report 2016 – Concept Note) apresenta uma série de pontos para o desenvolvimento da região. Registros: em países há mais de um celular por pessoa, mas isso não significa mais conexão e tampouco maior qualidade da conexão já que os usuários não conseguem navegar e utilizar todas as aplicações. Os preços impostos por grandes empresas do segmento (Facebook, por exemplo) impedem o desenvolvimento regional, o que dificulta o acesso a outras empresas ao mercado. Ademais, a concentração de muitos usuários numa mesma plataforma/aplicação e o monopólio de poucas empresas nesse segmento acaba colonizando tecnológica e economicamente a região. As empresas inovadoras e criativas têm mais dificuldade de competir com esses grandes grupos.
  • Deve-se favorecer e promover a inclusão de jovens inovadores de baixa renda. Mas o que é feito para agregá-los e incentivá-los? Há políticas públicas nesse sentido.
  • Questiona ainda que a certificação nos países, afirmando que hoje seus custos são caros e estão a cargo do mercado, o que precisa ser revisto.
  • Ignacio Caride, Mercado Livre: refere que há poucas empresas de internet na América Latina e isso precisa ser revertido, desenvolvendo-se mais empresas nesse segmento. Para que isso aconteça é necessário que tenhamos marcos regulatórios e estrutura.
  • Uma questão séria é a responsabilidade dos provedores sobre os conteúdos criados por terceiros. A maior clareza no trato desse tema elevaria o número de empresas atuando no setor. Havendo mais estrutura de banda larga haveria maior possibilidade de levar a internet para as regiões rurais, dando a essa população as mesmas possibilidades de quem vive em grandes capitais. Essa situação de infraestrutura precisa ser revista.
  • O Mercado Livre se orgulha de afirmar que é uma empresa que democratiza o comércio eletrônico. Com a internet não importa em que parte do país ou em que país esteja, pois a pessoa pode comprar os produtos com o mesmo preço e nas mesmas condições de quem está numa grande metrópole. Há também a possibilidade de vendas dos produtos, independente do local onde ela fabrica o produto. Isso desenvolve as regiões e democratiza o comércio e o acesso aos bens e serviços.
  • Há também uma redução dos custos para empreender, pois ele não precisa ter um estoque tão grande e tampouco ter um espaço físico para instalar seu negócio, pois basta ter uma página web e isso gera desenvolvimento para as empresas. Mas para que tudo isso ocorra é preciso que haja regras claras do jogo, os marcos normativos precisam ser bem definidos. Os sistemas financeiros também precisam colaborar, facilitando a emissão de cartões de crédito, ferramenta que vai facilitar as transações para os usuários. Hoje é muito mais fácil atuar e realizar negócios na internet, especialmente porque mais da metade da população da América Latina tem acesso à internet.

Sessão temática 7: Internet das Coisas na América Latina e o Caribe (das 09:30 às 11:00h)

Palestrantes:

Cristina Ruiz de Velasco, ATT.

Oscar Robles, LACNIC

José Eduardo Rojas, Fundação Redes

Vagner Diniz, W3C

Javier Juárez, IFT México

Victor Lagunes, Secretaria da Presidência

Moderador:

Andrés Sastre, ASIET

Cristina Ruiz de Velasco, ATT. : refere a plataforma única, uma inovação que unifica e dá oportunidades de conectar todos, acreditando que ela vai dinamizar os negócios. Hoje são desenvolvidos relógios, geladeiras, carros, computadores e aviões inteligentes, só para exemplificar. Menciona as inversões de dólares na indústria local de inovação, mas salienta a necessidade de desenvolver políticas públicas voltadas para esse desenvolvimento. Demanda por marcos legais globais para o desenvolvimento da internet das coisas, pois a conectividade das coisas gerará novos conflitos, tal como a proteção de dados pessoais, já que os usuários precisam ter confiança na segurança do sistema e na proteção da sua intimidade. Os inovadores precisam ser transparentes no tratamento dos dados pessoais que serão recolhidos por esses novos equipamentos que permitirão intensa e profunda conexão.

 

Oscar Robles, LACNIC: antes se buscava conectar pessoas e como conectar os seguintes meio bilhão de pessoas e hoje discutimos como conectar coisas. Isso é diferente, pois vai desde os equipamentos eletrônicos, geladeira, forno, relógios e todos os aparatos que utilizamos. Os equipamentos gerarão informações importantes nesses milhões de dispositivos conectados nas casas do mundo. Isso implica vários desafios.

Elementos que considera importantes ao tema: interoperacionalidade, que é a possibilidade que os negócios terão que atuar com coisas, oferecer soluções e serviços. O comprador de uma geladeira inteligente será avisado pelo equipamento de que o leite está acabando, por exemplo. Isso exigirá a definição de padrões regulatórios mínimos para essa tecnologia. A portabilidade é outro elemento bastante importante, pois permitirá ao usuário mudar de operador ou de aplicações, e para isso deve-se ter clareza como guardar e transmitir os dados de um operador a outro. É preciso elaborar uma regulação para nortear a comunidade técnica. O terceiro aspecto da internet das coisas é a segurança, que se desdobra em segurança para o usuário das coisas e seus dados, para os outros usuários e para a coletividade. É um aspecto amplo e que se desdobra, envolvendo inclusive a segurança nacional. O último e mais complexo elemento é a proteção da intimidade e privacidade das pessoas. Apesar de ter na América Latina leis de privacidade e proteção de dados entende que essa legislação não é suficiente porque serão gerados bilhões de dados e isso estará à disposição de inúmeras agências, pois todas as coisas gerarão dados e os usuários terão que ter clareza de quem, quando e onde seus dados serão utilizados.

José Eduardo Rojas, Fundação Redes: é importante entender o cenário sobre o qual está sendo gestada a internet das coisas e este é um desafio de iniciar o desenvolvimento de um novo modelo de economia digital. A internet das coisas responde ao desafio da economia em rede, que é dinâmica e multissetorial. Há uma evolução do objeto para os vários serviços, que muda a relação do sujeito com o objeto, pois as pessoas são colocadas na condição de objetos, mercadoria a serviço do mercado. Há uma transição e não somente as pessoas individualmente estão postas na condição de mercadoria, mas há empresas de que se tornam mercadorias, bem como Estados se transformam.

A grande questão é como vamos articular a inovação tecnológica e a inovação social. Este cenário está gerando uma demanda de capacidade de dar respostas técnicas e céleres a esses novos desafios, ao lado de pressões fortes do mercado global. Há que considerar os interesses do mercado, mas sem perder de vista a defesa dos direitos humanos e as inúmeras demandas sociais.

Este cenário de mercado exige que os Estados equilibrem poder para atuar de maneira informada e com capacidade. No âmbito do setor privado o desafio é equilibrar poderes entre quem está desenvolvendo essas tecnologias, a móvel e a internet das coisas, de um lado, e a sociedade e os cidadãos, de outro. Apesar das informações estarem na ‘nuvem’, em verdade estes dados estão em algum lugar e temos que considerar sua vulnerabilidade.

Para os governos deve-se ultrapassar a forma de regulação que visualizava o setor isolado, que tinha regulação própria para o seu segmento, para avançar para uma regulação do ecossistema. Em âmbito comunitário também há desafio, pois temos que pensar como formar uma cidade bem informada e bem inteligente. No âmbito técnico, tem que se articular a inovação técnica com a inovação social, pensando nos direitos humanos.

Fala da necessidade de conectar a internet das coisas com o conceito de CIDADANIA. O ser humano é a razão de ser dessa sociedade tecnológica.

Vagner Diniz, W3C: menciona as comunicações máquina-máquina sem intervenção das pessoas, mas refere que a internet das coisas será distinta. Para ter a internet das coisas são necessários: dispositivos capazes que permitam conectar, banda larga suficiente para o tráfego de dados, interface para a interação humana, qualidade de dados, segurança, protocolos para a segurança da informação.

Estima-se que no ano de 2017 haverá muitos equipamentos conectados. Há aspectos importantes, pois temos irregularidades e pouca qualidade na banda larga, além de que precisamos democratizar o acesso à internet, que precisa ser universal. Os protocolos também precisam ser revistos, pois precisam manejar grandes fluxos de informações. Refere um protocolo específico para isso, assim como existe um protocolo para a interação das coisas e seres humanos.

É preciso ter atenção com a segurança, interoperabilidade e conexão de diferentes dispositivos de distintos fabricantes.

Falar da internet ou web das coisas também é um passo muito importante se pensarmos nas pessoas com deficiências. Elas podem ser muito favorecidas com essas inovações.

Sugere que se consulte o site The internet of useless things (http://www.internetofuselessthings.io/).

 

Javier Juárez, IFT México: o ponto de partida é ver o que se entende por internet das coisas e nesse sentido há uma definição da UIT. Menciona o relatório da UIT, disponível em http://www.itu.int/en/publications/Documents/Trends2015-short-version_pass-e374681.pdf., que trata do tema. Refere a criação de protocolos globais, pois é preciso que os inovadores tenham garantias, bem como é essencial que os direitos humanos sejam respeitados. Apesar de ser internet das coisas, o ponto de vista sempre deve ser o humano.

Debates:

            O público reiterou a necessidade de que as mulheres sejam integradas no circuito de inovações, pois apenas 20% dos recursos humanos que atuam na área de TI e internet das coisas é constituído de mulheres.

Preocupação muito grande com os graus extremos de intromissão das coisas na vida privada das pessoas, recolhendo dados que sequer os usuários poderão supor (escravidão tecnológica) e os tornando ainda mais vulneráveis.

Preocupação com o nível de discussão, pois a maioria da população da América Latina sequer tem cartão de crédito, usando dinheiro em efetivo, não conhece a internet, e fala-se em internet das coisas. Para quem?

Problema muito sério com o consentimento esclarecido que deve ser concedido pelo usuário quando adquire o produto, pois inúmeros dados serão recolhidos e utilizados e ele perderá o pouco controle que ainda tem sobre informações sensíveis: doenças, rotinas de vida, etc.

Respostas:

A busca incessante é a harmonização do desenvolvimento tecnológico e a proteção de direitos humanos. A elaboração do marco teórico não deve ser isolado, sectorial e sim deve considerar todo o ecossistema e as variáveis implicadas. Deve também ser construído de maneira multissetorial e todos os representantes (setor privado, terceiro setor, empresas, governos, academia) devem se esforçar para participar ativamente dos debates e fazer proposições.

São referidas a necessidade de ações para integrar as mulheres, tais como a concessão de bolsas para que estudem na área de tecnologias, concessão de linhas de fomento para o desenvolvimento de pesquisas e a formação de grupos nesse segmento.

São mencionados também outros problemas que vão derivar do tema, como por exemplo a questão do lixo eletrônico que resultará da internet das coisas. Isso gerará uma série de problemas ambientais.

O palestrante da Bolívia refere que quando assumiu sua atividade naquele país constatou que havia muita legislação sobre inúmeros temas e esse cipoal legislativo pecava porque esquecia as pessoas. Um tema fundamental é ver onde está sendo gerado valor nesse tema, não ter em foco somente o mercado e seus interesses, mas aliar esse tema às pautas de justiça social. Temos que falar da distribuição de igualdade, de oportunidades e riquezas. Estamos tratando de usuários, em vez de cidadãos. Precisamos mudar o foco da discussão.

O modelo de ecossistema é muito importante para nós, pois a internet e as novas tecnologias precisam ser tratados de maneira dialógica e participativa em todos os seus impactos e dimensões.

E termina sua intervenção com um questionamento que parece nuclear: o desenvolvimento que estamos tratando e com o qual estamos comprometidos está gerando mais consumidores ou mais cidadãos!!

Sessão temática 8: Roteiro para a governança na LAC + IGF nacionais

Moderador:

Kevon Swift, LACNIC

Parte 1 – IGF Nacionais (das 11:30 às12:15. Duração 45 minutos)

Palestrantes:

Manuel Haces, Grupo de iniciativa do México

Pilar Sáenz, Grupo local de Governança da Colômbia

Flavia Lefèvre, CGI.br

Raquel Gatto, ISOC

Raquel Gatto, ISOC: pontos para articular as organizações locais, que devem ser multissetoriais. A realização de eventos para discutir localmente a governança da internet é muito importante e para o seu sucesso é fundamental manter a abordagem de baixo para cima, com processos de consulta e espaços de comunicação e participação, para que os envolvidos possam trazer suas demandas e fornecer um olhar local.

Outro elemento muito importante é organizar o sistema de relatorias, para que o histórico do evento e das contribuições sejam mantidos.  O mais rico não é o evento, que é um marco. Para aproveitar todas as suas riquezas e possibilidades deve-se pensá-lo como um PROCESSO, considerando as potencialidades e oportunidades que surgem com sua articulação, tanto antes quanto depois.

O critério geográfico também deve ser considerado nas discussões, pois é uma variável importante, mas deve-se reconhecer que há outros critérios. Menciona que estão adotando ações simples para incluir o maior número de pessoas nas discussões, incluindo diferentes atores, de gerações distintas e com variadas visões. Nesse sentido estão disponibilizando bolsa para a participação de menores de idade e jovens para o evento em João Pessoa, além de um curso online. Depois desses cursos será feita a escolha de quem vai obter a bolsa para ir a João Pessoa.

A moderadora refere que fazem os convites para as pessoas participarem, mas usualmente os participantes são os mesmos. A questão é como ampliar o número de participantes e ao mesmo tempo alcançar um público plural.

 

Flavia Lefèvre, CGI.br (PROTEST): a expositora refere que uma das iniciativas nesse  sentido, realizada no Brasil, foi a criação do Fórum da Internet no Brasil, que é um espaço muito interessante e que hoje está na sua quinta edição. Destaca a metodologia que vai se aperfeiçoando ao longo dos anos, que tem propiciado espaços muito grandes e produtivos de participação. Vê como pontos principais a redução das assimetrias de informação sobre o tema, pois o fórum é um espaço, com divisão de temas por trilhas, onde as pessoas podem se encontrar e discutir temas que são de interesse do participante, ligando todos os setores. Enfatiza o papel das relatorias, que anotam as demandas, permite identificar e registrar consensos, o que é valioso para os elaboradores de políticas públicas. Também esse espaço de discussão permite identificar os dissensos, o que é útil para tentar entender porque há essas diferenças. Há também registros de todos os fóruns, o que está disponível em http://forumdainternet.cgi.br/

 

Pilar Sáenz, Grupo local de Governança da Colômbia: destaca que o grande desafio é fazer com que outras pessoas participam e, além disso, como fazer para que as discussões cheguem até as instâncias responsáveis pela formulação de políticas públicas, pois do contrário será uma perda de tempo.

 

Manuel Haces, Grupo de iniciativa do México: segundo a visão do representante do México diz que uma forma de ampliar a participação deve ser tornar os temas simples e atrativos para que as pessoas sintam-se contempladas e encorajadas para participar. Deve ser garantida a neutralidade do debate para que contemple os anseios e demandas de todos os segmentos, onde se respeite os espaços neutrais e igualitários de participação.

Ademais, há grandes oportunidades de buscar apoio e pessoas jovens e bem preparadas nas universidades. Há muitos setores que podem se envolver e simplesmente não sabem como fazê-lo. É importante também que sejam explorados e divulgados à população os canais digitais de participação.

É claro que há desafios, pois se deve pensar nos custos para realizar eventos. De toda a parte, os eventos devem ser inclusivos, contemplando todos os setores e abrindo possibilidade de voz. Deve-se manter um grupo organicamente ativo, onde sejam mantidas as pessoas que já tenham conhecimento e história, mas também é necessário que sejam agregadas novas pessoas, pois a alternância das pessoas nos espaços é algo salutar e democrático.

Pergunta: quais os mecanismos estão utilizando e se tem algum projeto de médio prazo e que podem partilhar.

 

Flávia: destaca que no caso do Brasil há o CGI.br que, apesar de não ter nascido muito forte, foi se firmando e a partir de 2003 adotou um formato multissetorial e agora alçou um importante espaço, pois foi contemplado no Marco Civil da Internet. Como o CGI.br é composto por pessoas diversas, de vários segmentos, isso tem gerado uma propagação e efeito multiplicador em cada setor. Essa participação auxilia na difusão de informação e amplia o ingresso de novos membros.

Raquel Gatto: menciona que a Costa Rica já articulou seu comitê gestor e adverte que os comitês também tem o dever de difundir informação sobre o tema.

 

Pilar Sáenz – afirma que temos que ir mais além do que pensar em evento, pois eles são muito custosos e por vezes produzem resultados isolados, estanques. Sugere que seja pensado em PROCESSOS, pois eles se mantêm. Refere que algumas estratégias são a manutenção de lista de correios, criar redes sociais para discutir o tema, propor e executar consultas sobre os temas da governança da internet, para que as comunidades locais possam ser ouvidas. É importante também produzir estatísticas e buscar mecanismos de transparência para os diferentes grupos que estão participando. Menciona a necessidade de executar projetos em comum, desenvolvendo as formas cooperativas de atuar.

 

Manuel Haces (México): refere que cada cultura é única e particular em seus processos e deve ser visto como cada país percebe a participação de sua população. Refere que elegeram processos para a participação, sendo um deles o “está de acordo e não está de acordo”.

Há muitos fóruns e deve-se cuidar para evitar a duplicidade das discussões. O ideal é ter um repertório comum, onde fiquem concentrados os documentos, síntese dos encontros, propostas, ações.

Por fim é necessário:

– identificar os pontos centrais do debate,

– ter clareza quanto aos processos necessários para a sua consecução;

– fazer o encaminhamento dos resultados dos debates para os formuladores de políticas públicas;

– acompanhar e fiscalizar a execução das políticas públicas no setor.

Parte 2 – Roteiro para a governança na LAC (das 12:15 às 13:00h. Duração 45 minutos)

Palestrantes:

Alejandro Delgado, Ministério Tecnologias da Informação e das Comunicações

Valeria Betancourt, APC

Raul Echeberria, ISOC

Chenguetai Masango, IGF Secretariat

 

Alejandro Delgado, Ministério Tecnologias da Informação e das Comunicações (Colômbia): reitera a necessidade de ampliar a participação e menciona o processo de elaboração do Marco Civil da Internet como um exemplo de participação colaborativa dos segmentos interessados na regulação da internet. Destaca que a academia deve se envolver de maneira mais efetiva e intensa nesses processos. Refere que ao lado do aumento do número de pessoas, o debate também incorporou maior qualidade à pauta, o que vê como uma promessa.

Valeria Betancourt, APC: sua instituição pensa que a internet é um bem público e social e que todas as pessoas tem que ter acesso, que deve ser universal. Trata da proteção dos direitos online, menciona a necessidade de se pensar naqueles que alijados do processo, que não tem possibilidade de uso da internet. Isso é importante sobretudo na América Latina, cujos países ainda registram marcas visíveis e fortes do patriarcado, da violência e do desrespeito a determinados grupos, dentre eles as mulheres.

Destaca que há pontos de consenso sobre os quais os Estados apresentam uma maior coerência, no entanto há outras pautas sobre as quais não há as mesmas posições. Defende que a neutralidade da rede, a preocupação com a manutenção da liberdade de expressão e o respeito com os direitos humanos deve ser um compromisso constante, que deve ser perseguido a partir da oportunidade de participação de todos os atores envolvidos.

Sustenta que a governança da internet seja pautada pela igualdade de acesso, pela cooperação reforçada e pela participação da sociedade civil.

 

Raul Echeberria, ISOC: quando se fala de governança da América Latina tem que se perceber que é um processo que ocorre em todos os lados e não somente no âmbito da IGF. Destaca que nessa mesma semana terá outra reunião e que também é importante acompanhar isso.

Destaca a necessidade de que sejam construídas regras mais claras e transparentes de participação. Sugere que sejam criadas comunidades que mantenham o diálogo permanente entre os participantes do Lacigf e que todos se mobilizem durante todo o ano.

Destaca a necessidade de manter os IGF local e assegurar as formas multissetoriais de participação. Os impactos maiores e verdadeiros não vão decorrer da IGF global. Ela é importante para a troca de informações e o estabelecimento de pautas comuns, mas essa discussão tem que ser aprofundada e aproximada dos desafios locais. As transformações serão decorrência da atuação local.

Chenguetai Masango, IGF Secretariat: Destaca a importância de formas de atuação multissetorial, mencionando explicitamente o Brasil.

Debates

Sessão temática: Definição da nova estrutura da Governança do LACIGF

Debate com a comunidade sobre a evolução do LACIGF, consideração das propostas existentes (Comunidade Técnica).

Moderador:

Rowland Espinosa, Costa Rica.

Palestrantes:

Andrés Piazza, LACNIC

Jose Clastornik, AGESIC

Fátima Cambronero, AGEIA DENSI

Andrés Sastre, ASIET

Representante de Internet Society –  cumprimenta os participantes do fórum e destaca a sua importância. Refere a importância de continuar com processos multissetoriais de discussão e tomada de decisões para a elaboração de regras para a regulação da internet.

Jose Clastornik, AGESIC: destaca a importância do crescimento de participantes e pluralidade de vozes. Registra o apoio dos governos e também a importância da participação das empresas, pois é essencial que elas sejam presentes nos debates. Registra que este ponto de partida e da chegada e cumprimento aos organizadores e participantes.

  • Andrés Sastre, ASIET: discurso de encerramento do evento.segundo dia

Cerimônia de Encerramento LACIGF (das 15:30 às 16:00h)

 

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